No fundo da alma mergulho...
Me perco sem pressa nos meandros dos meus pensamentos e nas luzes da cidade...
Tudo ao mesmo tempo: as sombras do âmago e o vermelho cintilante dos faróis retumbando dentro de mim e me convocando para a luta...
Me deixo assim perdida dentro de mim e encontrada pela cidade que tanto amo...
Mas a cidade exige, clama por atenção! Consome os sentidos... Preenche os olhos, perturba os ouvidos, exala a sua poluição inebriante, me envolve na sua penumbra sedutora e me traga com o seu sabor de caos...
E nesse caos eu encontro o elo do externo com o interno. E aqui a existência é plena onde o caos encontra a vida e a vida se explica por si só, por insistência, por resistência, por sobrevivência...
Na dura cidade onde a vida insiste em sufocar a arte, um som doce ainda persiste... E resiste à indiferença da loucura, ao egoísmo da vida, à violação da paz... Um som ainda sobrevive apesar do tumulto... E ele só vive porque vem de dentro e dentro de mim ecoa e vai e volta mil vezes sem encontrar o seu repouso... Esse som, assim insistente, assim persistente, impertinente e envolvente, tira-me o sono e restaura-me a vida...
Música eterna chamada ESPERANÇA...
Roberta Chagas
01.12.09


Muitas outras almas escutam o ecoar das notas...linda melodia que encanta e enche os corações de coragem e vitalidade, necessárias ao contraponto de loucura e insensates do clamor da cidade. Outras almas, contudo, insistem em tapar os olhos, os ouvidos, perder o tato e principalmente calar-se diante do sentimento de impotência e fraqueza.
ResponderExcluir...cidade maldita...cidade linda.