quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Adeus...




Adeus...

É hora de viver,
De reviver e de escrever...
Falar de um tempo tão distante que os olhos não tocam mais...
De dias de tanto sol e cujo brilho não mais se vê...

Hoje o tempo é de saudade.
Uma saudade sentida daquilo que foi e nunca mais será...
Daqueles que foram e nos deixaram órfãos das suas histórias,
Das lágrimas que há muito caíram, mas que nunca secaram...

É preciso um grande acontecimento para romper uma inércia de muito tempo,
Um grito para lacerar o silêncio e falar mais alto que ele,
Um mergulho involuntário nos sentimentos que gostaria de apagar,
Uma explosão para ensurdecer...

Hoje eu só vou ficar aqui...
Recôndita e calada, perdida naqueles dias,,
Naquele tempo, atrás daquela curva,
Naquelas paisagens que meus olhos nunca mais vão tocar...

Uma palavra? Adeus...

Roberta Chagas

08.01.14

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Black

Sinestesia e arte,
Escuro e silêncio,
Luz, letras, frases...
Palavras proclamadas correm o cerne e penetram na alma.

Onde você esteve hoje?
Onde será que você tem estado?
Onde se esconde para que a arte não te toque?
Por que foges?

Ali, silêncio e breu se casam,
E nós, testemunhas perplexas caímos em questionamentos:
O que você tem dito para o mundo?
O que diz educa, diverte ou apenas comunica o supérfluo?

Questione sem falar, pergunte a si mesmo...
De que retalhos  é feita a sua existência?
E quando a luz de novo acender o que você terá para lhe entregar?
E quando o breu lhe apanhar... O que terá você para oferecer?

Conseguirá a luz solitária ser vista estrela?
Ou só mais um silêncio vácuo vazio perdido naquilo que a ignorância chama de nada e os loucos chamam de arte e genialidade?!?!

Roberta Chagas
15.07.11

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Só hoje...


Tira o pijama e vem sentir a chuva
Vamos ser hoje, só hoje, crianças sem pais
Brincando de liberdade na natureza perigosa
Da vida selvagem


Vamos brincar de ser quem não somos
E sonhar sonhos grandes
Que um dia, quem sabe, obra do destino, realizaremos sorrindo
Lembrando do dia em que apenas sonhamos


Sejamos felizes e, só hoje, sem compromissos
Vamos esquecer as contas, os chatos, os atos torpes da sociedade capitalista...
Vamos esquecer que existem políticos, vamos brincar de ser bichos, vamos recriar as leis:
Seremos reis num castelo onde só existem plumas...


E nas brumas desses sonhos vamos beijar a felicidade
E nos molhar com a luz que cai do céu
E sorrir no escuro
E gritar no mergulho


Vamos fazer barulho só pra ouvir ...
E rir como crianças bobas
Comendo brigadeiro e fazendo guerra de pipoca
Seremos apenas dois tolos no meio da rua


E quando alguém passar e nos vir
Morrerá de inveja da nossa felicidade besta e nos xingará por pura inveja
E seguiremos assim bobos felizes na terra do nunca
No amor seguro da brisa que passa...


Só hoje...



Roberta Chagas
16.01.11

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Doce brisa...




Nasce o sol no horizonte límpido
E onde se encontram o mar e o desejo
Repousam veleiros preguiçosos do dia que desponta
Contrastando com a doce brisa...


E neste cenário de branda contemplação
O reflexo do céu no mar é apenas mais uma cor
E o meu olhar é de pura cobiça,
Um desejo no âmbito do coração...


Em louvor do que os meus olhos trasbordam
Cantam palavras apenas para expressar aquilo que eu não posso dizer...
Calada pela imagem que prevalece ante o meu semblante,
Eu vento...


E cala no silêncio um desejo e na alma uma canção
O registro simultâneo do som do mar,
Da paisagem inebriante e do olor de uma expectativa sincera
Trazida pela doce brisa...



Roberta Chagas
08.12.10

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ilusão




O que compreende o mundo da ilusão?
Fantasia? Imaginação?
O intocável campo da percepção individual
O circo individual...


O mundo privado das máscaras em riste,
Palácio de espelhos
Outrora convertido em janelas sem cortinas
Ora instigante, ora enlouquecedor...


A ilusão é a locomotiva desenfreada
Que nos transporta por paisagens indescritíveis
Viagem ao infinito eu
Mergulho negro...


Confins da alma
Céu, terra, ar e espaço
Desenho de vida
Criação, arte, ilusão...


Roberta Chagas
29.11.10


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Amar...






Sera suficiente o amor por si só?

O amor verdadeiro que sente sem sufocar,

Que respira sem engasgar,

O amor que ama e não exige, não pede, não toma...



Amor por amar...

Amor que renuncia aos caprichos e é sóbrio.

Amor sozinho sem ser solitário.

Amor sem amarras!



Amor sem cobranças, sem perguntas, sem porquês.

O amor divino, que ama sem ver e que perdoa. Perdoa porque entende. E entende para nutrir-se.

Amor que atropela, mas não mata... Apenas faz sangrar...

E sorve o sofrimento que o alimenta para então tomar fôlego para seguir calado.

Porque calar exige forças e exercício.

O exercício de ter um bem que é só seu, tão indivisível quanto pleno

Tão rude quanto avassalador e que mina o coração...



Roberta Chagas

28.05.10

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Reticências...


No silencio de onde escrevo sinto-me ausente dos sons do mundo e mergulho no barulho ensurdecedor do meu eu,

Aqui onde a camada de ar me envolve e me isola do mundo inteiro...

Onde os carros passam longe,

A lua brilha longe,

A vida passa longe...

Onde o silêncio se deixa apenas cortar pelo som minúsculo que chega, que abala e que ecoa feito um brado forte dentro de mim...

Onde o corpo se retrai e se contrai, virado em silêncio...

A matéria reduzida, a carne que se presta ao invólucro do cansaço e nada mais...

Na carne se deposita o enfado e na alma os pontos quicam e pulam e soluçam dentro de mim para virar as reticências daquilo que não se sabe, mas é... as bolinhas de chumbo que pesam indefinidamente e disciplinadas se alinham antes que os pesadelos as atropelem e façam delas as balas pra matar uma saudade...



Roberta Chagas
19.05.10