Descerra-se a cama para o descanso do corpo de uma mulher...
Deitam-se os sonhos sobre o colchão e quando se fecham os olhos despontam os fantasmas que assombram a sua existência...
O leito acomoda a carne, que insiste em querer descansar, mas a alma navega por mares turbulentos, estradas acidentadas, velórios silenciosos...
O corpo se move silencioso e vagaroso, mas a mente se revira buscando a fuga dos labirintos escusos da sua própria criação...
Labirinto de espelhos onde se debate, para que sempre, invariavelmente, se depare consigo...
Mas essa mulher que avista, embora tão conhecida ainda causa sobressalto... Será mesmo ela ou uma ilusão clonada dos seus pesadelos?
E os pesadelos precisam do sono. O sono que falha, o sono que falta, o sono que fala... E nessa voz grita tão alto que cala tristemente a alma que os conduz, agora medrosa de si mesma.
Não há conseqüência sem causa...
Insônia.
Roberta Chagas
05.12.09


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