quinta-feira, 20 de maio de 2010

Reticências...


No silencio de onde escrevo sinto-me ausente dos sons do mundo e mergulho no barulho ensurdecedor do meu eu,

Aqui onde a camada de ar me envolve e me isola do mundo inteiro...

Onde os carros passam longe,

A lua brilha longe,

A vida passa longe...

Onde o silêncio se deixa apenas cortar pelo som minúsculo que chega, que abala e que ecoa feito um brado forte dentro de mim...

Onde o corpo se retrai e se contrai, virado em silêncio...

A matéria reduzida, a carne que se presta ao invólucro do cansaço e nada mais...

Na carne se deposita o enfado e na alma os pontos quicam e pulam e soluçam dentro de mim para virar as reticências daquilo que não se sabe, mas é... as bolinhas de chumbo que pesam indefinidamente e disciplinadas se alinham antes que os pesadelos as atropelem e façam delas as balas pra matar uma saudade...



Roberta Chagas
19.05.10

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